Hoje eu estava conversando em um grupo de usuários de Meta Quest aqui do Brasil. Um mercado que, sendo bem sincero, a Meta nunca se interessou. A conversa acabou indo para aquele ponto clássico: “o VR morreu”.
Eu discordo.
E foi justamente por isso que resolvi escrever isso aqui. Não como alguém que quer prever o futuro do mercado, mas como alguém que é apenas um entusiasta e usuário de tecnologia tentando entender o que está acontecendo.
Fiz uma analogia com algo que acontece muito com quem gosta de tecnologia. A gente compra coisas que, no começo, são incríveis. Com o tempo, elas continuam funcionando, mas começam a ocupar espaço, atrapalhar novas possibilidades e, em algum momento, você percebe que precisa vender, guardar ou simplesmente desapegar.
Quando olho para a estratégia da Meta, especialmente na aquisição de estúdios, eu vejo algo parecido. Para mim, foi um tiro no pé. Vou explicar o porquê.
Exclusivos fazem sentido quando você quer vender hardware em massa. Mas estamos falando de um mercado de nicho. Quanto mais fechado você deixa seus jogos, maior o risco. Se títulos como Batman, Deadpool e outros tivessem sido lançados também no PC, no PSVR2 e em outras plataformas, é bem possível que pelo menos o custo de desenvolvimento tivesse sido pago.
A Meta sempre passou isso como um “incentivo para entrar no ecossistema”. Mas se fosse só isso, esses estúdios não teriam sido fechados. No fim, existia sim uma expectativa de retorno. E quando esse retorno não veio, a conta chegou.
A estratégia da Microsoft mostra bem isso. Ela também comprou estúdios para fortalecer sua plataforma, mas entendeu que abrir os jogos para outras plataformas era a melhor forma de recuperar o investimento. Quem gosta do hardware vai continuar comprando o hardware. Quem gosta só dos jogos vai continuar onde está, mas ainda assim vai consumir aquele conteúdo.
Outro ponto importante é a mudança de estratégia. Investimentos altos exigem correções de rota. Nenhuma empresa consegue sustentar por muito tempo algo que claramente não está funcionando. A Meta viu o que deu certo, viu o que deu errado e agora está fazendo algo que dói, mas é necessário: arrumar a casa.
Jogos são incríveis. Eu entrei na realidade virtual por causa deles. Mas hoje, olhando para o meu próprio consumo, eu percebo que trabalho mais em VR do que jogo. Consumo mais serviços e experiências do que compro jogos. Isso aparece claramente até na fatura do cartão.
O comportamento também muda conforme o público. Crianças consomem free to play, skins, passes e assinaturas baratas. Adultos pensam em custo-benefício, tempo disponível e retorno. Vender jogos caros para esse público é muito mais difícil.
Quando penso no que a Meta está fazendo agora, vejo como uma mudança de casa. Você leva tudo para o lugar novo e percebe que nem tudo faz sentido ali. O abajur que antes ficava em um canto agora não funciona mais. Quadros e objetos precisam sair para dar espaço ao que realmente entrega valor. No final, o objetivo é simples: manter a casa organizada, sustentável e com um custo que faça sentido no longo prazo.
A realidade virtual já enfrentou várias batalhas e isso vai continuar acontecendo. Mas eu não acho justo colocar essa tecnologia nas costas de uma única empresa. É fácil apontar e dizer “vocês falharam”. Mas a resposta pode ser simples: “ao menos tentamos”.
No fim, a tecnologia continua evoluindo. Aquilo que começou só como uma forma de jogar está encontrando espaço para trabalhar, aprender, criar e viver experiências diferentes.
E, sinceramente, a única pessoa capaz de matar o VR é você mesmo. Quando deixa de usar, de mostrar e de compartilhar. Quem experimenta sabe. O sentimento só entende quem coloca o headset e vive.
Vai dar certo? Talvez sim. Talvez não.
Mas estamos vivendo esse momento. E isso já vale muito.














